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'Não reportar': áudio de ex-piloto mostra rotina para não relatar panes na Voepass; OUÇA Um áudio inédito obtido pela EPTV, afiliada TV Globo, mostra um funcionário da manutenção da Voepass orientando um piloto a não registrar um problema identificado durante um voo para evitar que a aeronave fosse retirada de operação - ouça acima. "Precisava que você entrasse em contato com o [nome omitido], é ele que vai assumir o seu avião aí, para não reportar a PACK, porque ele vai assumir a aeronave aí e vai conversar contigo. Só para não reportar, para não ficar AOG aí", diz o funcionário no áudio obtido pela EPTV. 🔎 A sigla AOG, do inglês Aircraft on Ground, é utilizada quando uma aeronave precisa permanecer em solo devido a uma pane ou necessidade de manutenção. A PACK é um componente do sistema de ar-condicionado e pressurização da aeronave. O piloto que recebeu a mensagem pediu para não ser identificado. Ele afirmou que o pedido ocorreu poucos meses após a tragédia de Vinhedo e que situações semelhantes eram recorrentes na companhia. Em nota, a Voepass informou que não teve acesso e não tomou conhecimento do áudio. A empresa reforçou que contava com um sistema de comunicação formal de identificação de falhas em equipamentos, o qual suas equipes eram orientadas a seguir rigorosamente. LEIA TAMBÉM: Avião deu 5 alertas antes de cair: veja os momentos finais do voo da Voepass Relatório final aponta que empresa, pilotos e Anac falharam, e diz que avião não poderia ter decolado Veja 19 pontos que contribuíram ou podem ter contribuído para queda do avião, segundo Cenipa ➡ A gravação reforça a conclusão do Cenipa de que a Voepass tinha uma "cultura de normalização de desvios" em condutas operacionais da empresa. A declaração foi dada pelo tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, investigador do Cenipa, durante a apresentação do relatório final sobre a queda do avião da empresa em Vinhedo (SP), em acidente que matou 62 pessoas em agosto de 2024. "Era comum eles pedirem, principalmente quando era um item que já tinha saído da manutenção. Eles tinham um grande problema de parar a aviação, não queriam que parasse de forma nenhuma", afirmou. Segundo ele, quando prazos para correção de falhas não eram cumpridos, havia pressão para que os problemas não fossem registrados formalmente. O ex-funcionário destacou que nunca deixou de registrar problemas que considerava necessários. Ele também relatou que profissionais que insistiam em registrar panes poderiam ser vistos com resistência dentro da empresa. 'Cultura de normalização de desvios' 'Não reportar': áudio de ex-piloto mostra rotina para não relatar panes na Voepass Reprodução/EPTV Durante a divulgação do relatório final sobre o acidente de Vinhedo, nesta quinta-feira (23), o Cenipa apontou que havia na empresa um processo de normalização de desvios operacionais, com registros incompletos de falhas e dificuldades no fluxo de informações relacionadas à manutenção das aeronaves. Relato semelhante EXCLUSIVO: falha em degelo foi omitida antes de desastre da Voepass, diz ex-funcionário Quase um ano antes da divulgação do relatório final, um ex-funcionário da Voepass já havia relatado ao documentário "81 Segundos", produzido pelo g1 em parceria com a EPTV, que uma falha apresentada pela aeronave acidentada teria deixado de ser registrada no diário de bordo horas antes da decolagem. O trabalhador afirmou à época que acompanhou, no hangar da empresa, a última manutenção realizada no ATR antes do voo que caiu em Vinhedo. Relembre o acidente O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024. O ATR 72-500, matrícula PS-VPB, fazia o voo entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) quando caiu no quintal de uma casa em um condomínio de Vinhedo (SP). As 62 pessoas a bordo, incluindo 58 passageiros e quatro tripulantes, morreram. Nenhum morador da residência atingida ficou ferido. Foi o acidente mais grave da aviação brasileira desde o desastre com o voo da TAM, em 2007. Infográfico - Como era o avião que caiu em Vinhedo Arte g1 O que diz a Voepass A queda do voo 2283, em 9 de agosto de 2024, foi o episódio mais difícil da história da VOEPASS. Desde o momento do acidente, a empresa esteve solidária às famílias das vítimas, compartilhando uma dor que permanece presente em sua memória. Em mais de 30 anos de operações na aviação brasileira, a companhia jamais havia enfrentado uma situação como essa. Ao longo de três décadas, sempre adotou procedimentos sérios de segurança, capacitação e orientação de tripulação. A atuação da empresa sempre esteve pautada em padrões de segurança internacionais, contando inclusive com a certificação IOSA desde 2012, um requisito de excelência operacional emitido apenas para empresas auditadas IATA. A tripulação do voo 2283 era experiente, capacitada e devidamente certificada, acumulando mais de 5.000 horas de voo e com treinamentos técnicos e acompanhamentos de saúde rigorosamente atualizados, sem qualquer registro prévio ou fator que impedisse sua atuação. Desde o início das apurações, a VOEPASS atua de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades públicas e segue à disposição de todas as instituições e agentes envolvidos para colaborar com o que for necessário. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas