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O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso decidiu não assinar a carta em que 13 ministros aposentados da Corte manifestam apoio ao presidente do tribunal, Edson Fachin. Barroso entende que pode contribuir internamente para a solução da crise. O ex-presidente mantém diálogo tanto com Alexandre de Moraes, quanto André Mendonça. A carta de ex-ministros cobra a convocação urgente de uma sessão do plenário para apurar os “gravíssimos fatos” que, segundo o documento, estão provocando a mais aguda crise da história do STF. Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Ayres Britto e outros 10 ministros aposentados pedem a Fachin 'imediata e rigorosa' apuração de crise no STF Barroso explicou aos ex-colegas que preferiu ficar fora do manifesto porque, tendo deixado o Supremo há poucos meses, mantém relações pessoais com os atuais ministros e vem conversando com integrantes da Corte, inclusive os que hoje estão em posições antagônicas, na tentativa de contribuir para uma solução interna da crise. Agora no g1 “Não me sinto confortável de assinar um manifesto externo, que me privaria da possibilidade de procurar contribuir internamente para o melhor encaminhamento do assunto”, afirmou Barroso na mensagem enviada aos ex-ministros. O ex-presidente do STF fez questão, porém, de manifestar apoio a Fachin. Disse “louvar” a iniciativa de respaldo ao atual presidente e afirmou que sua “integridade e equilíbrio orgulham o Tribunal”. Barroso relatou ainda que, nas últimas semanas, tem mantido contato com diversos ministros, “refletindo sobre as soluções possíveis e desejáveis”. Segundo ele, durante uma recente internação hospitalar, recebeu a visita de vários colegas, “inclusive os que se encontram em posições antagônicas”. A decisão de Barroso de não assinar chama atenção porque a carta reúne um grupo expressivo de ex-integrantes do Supremo, entre eles vários ex-presidentes da Corte. Também não assinaram o manifesto os ex-ministros Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio. Assinam a carta Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber. “Mais aguda crise de sua história” A carta é curta, mas dura. Os ex-ministros dizem ter “plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza” de Fachin para conduzir o Supremo no que classificam como “a mais aguda crise de sua história”. Mas o apoio vem acompanhado de uma cobrança objetiva: querem que Fachin convoque, “com toda a urgência”, uma sessão pública do plenário para que os 11 ministros do STF decidam sobre uma “imediata e rigorosa apuração” dos fatos que vieram a público. Segundo os signatários, as revelações são graves a ponto de comprometer “o prestígio e a autoridade” do Supremo, “a confiança do povo” e até “a estabilidade das instituições democráticas”. Os ex-ministros também fazem questão de registrar que a investigação deve ocorrer “sob o devido processo legal”. A manifestação coloca pressão sobre Fachin justamente porque não parte de adversários históricos do Supremo. Ao contrário: é assinada por 13 pessoas que ocuparam as mesmas cadeiras dos atuais ministros e conhecem por dentro o funcionamento e as consequências institucionais de uma crise na Corte. Barroso escolheu um caminho diferente: não aderiu publicamente à cobrança por uma sessão do plenário, mas também não se colocou contra a iniciativa. Sua justificativa é que pretende preservar uma espécie de canal informal de interlocução entre ministros que hoje ocupam lados diferentes da crise. Em resumo: enquanto 13 ex-ministros decidiram pressionar o Supremo de fora para dentro, Barroso diz que prefere tentar ajudar de dentro para fora.