Corpo é encontrado enterrado em um terreno em Barra Mansa
Delegacia de Barra Mansa Matheus Suominsky/g1 Um corpo foi encontrado em um terreno na noite desta quinta-feira (23) em Barra Mansa (RJ). O caso aconteceu no ba
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Cenipa aponta que atuação da Anac contribuiu para queda de avião em Vinhedo A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que fará uma análise téc...
Cenipa aponta que atuação da Anac contribuiu para queda de avião em Vinhedo A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que fará uma análise técnica "detalhada" das recomendações apresentadas no relatório final da investigação sobre o acidente aéreo da Voepass, que deixou 62 mortos em agosto de 2024. No relatório, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira, apontou que as fiscalizações da agência foram insuficientes para impedir que o avião da Voepass caísse. Segundo a Anac, o prazo para conclusão da análise das recomendações é de até quatro meses. "As investigações conduzidas pelo Cenipa têm caráter exclusivamente preventivo e não se destinam à atribuição de culpa ou responsabilização, mas à identificação de fatores que contribuíram para o acidente e de recomendações para aprimorar o sistema de segurança operacional da aviação civil". informou a Anac. O que diz o relatório Avião da Voepass que caiu não poderia ter decolado, aponta Cenipa O relatório final da investigação apontou falhas da companhia aérea, dos pilotos e da fiscalização da Anac, além de indicar que a aeronave tinha uma falha que impedia que voasse em condição de previsão de chuva. Segundo a investigação, a aeronave não poderia ter decolado em horário com previsão de chuva porque tinha um erro no sistema de limpador de para-brisa. O turboélice voou entre oito e dez minutos em uma área com condições de gelo severo. O tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, investigador encarregado pelo Cenipa para essa investigação, apontou que antes do voo de Cascavel a Guarulhos, a aeronave apresentava 10 itens com falhas - uma delas no limpador de para-brisa. "Não poderia ter sido despachado a aeronave nesse horário em virtude da falha no limpador de para-brisa", disse Fróes. "A aeronave não poderia ter previsão de decolagem se houvesse previsão de chuva uma hora antes e uma hora depois após a previsão da decolagem. Isso também valia para o horário estimado de pouso para a decolagem de destino ou na localidade da alternativa", completou. Durante a investigação, o Cenipa analisou 1.206 voos feitos entre agosto de 2023 até o dia da queda. Em nota, a Voepass afirmou que vai se manifestar posteriormente, depois que tiver acesso à íntegra do relatório final. Falhas no sistema de degelo Coletiva do Cenipa responde perguntas de jornalistas sobre acidente com avião da Voepass Gabriella Ramos/g1 O avião também apresentou falhas no sistema de degelo das asas em dois voos na véspera da queda, mas a tripulação responsável não registrou em diário de bordo, apontou o tenente-coronel. Fróes afirmou que, em voo na véspera da queda, o avião decolou de Guarulhos com destino a Ribeirão Preto e teve uma falha no sistema responsável por eliminar o gelo acumulado nas asas. Segundo ele, a tripulação, que não era a mesma do voo que caiu, não reportou isso em diário de bordo. "A tripulação deveria ter relatado no diário de bordo essa falha para que a manutenção, após o pouso, pudesse verificar o que estava acontecendo com o sistema. O que a comissão verificou é que após o pouso em Ribeirão Preto, na noite anterior, essa falha não foi registrada no diário de bordo da aeronave", disse Fróes. Pilotos conversavam sobre assuntos pessoais e esqueceram de sistema de degelo Cenipa cita conversas pessoais de pilotos e "esquecimento" de acionar sistema de degelo O tenente-coronel também aponta que os pilotos da Voepass responsáveis pelo avião que caiu em Vinhedo conversavam sobre assuntos pessoais durante o voo e esqueceram de ligar o sistema de degelo, mesmo após alertas emitidos pela aeronave. O avião por diversas vezes acionou o alerta electronic ice detector, que indica situação favorável para acúmulo de gelo na aeronave e deveria levar ao acionamento de protocolos, como mudança de velocidade e acionamento do sistema de degelo. No entanto, segundo Fróes, durante toda a gravação da caixa-preta os pilotos conversavam sobre assuntos pessoais. "Há uma grande parte das gravações que os dois pilotos estão conversando sobre assuntos pessoais", relatou o tenente-coronel. 'Cultura de normalização de desvios' Cultura de informalidade fez com que pilotos não relatassem panes em diários de bordo Além disso, o tenente-coronel apontou que havia uma "cultura de normalização de desvios". "Essa normalização de desvios, ela vem de uma cultura de informalidade em que pilotos e mecânicos não relataram as panes e as falhas em diário de bordo", detalhou Fróes. Como era o avião que caiu em Vinhedo Arte g1 LEIA TAMBÉM: EXCLUSIVO: avião teve falha omitida em diário de bordo horas antes de decolar, diz testemunha Áudios inéditos mostram conversas entre pilotos e controle aéreo minutos antes da queda Bilhete de amor, terço e alianças: objetos saem intactos da tragédia e viram relíquias para famílias enfrentarem saudade Em agosto de 2024, um mês depois do acidente, o Cenipa divulgou um relatório preliminar que já apontava que, menos de dois minutos antes de o ATR cair, um alerta na cabine avisou a tripulação que o gelo prejudicava o desempenho da aeronave e que os pilotos comentaram sobre um problema no sistema antigelo logo no início do voo. Relembre aqui. O que foi analisado pelo Cenipa? Tragédia da Voepass: vídeo mostra como foi acidente de avião em Vinhedo Entre os principais trabalhos realizados estão: análise das duas caixas-pretas (gravador de voz da cabine e gravador de dados de voo); reconstrução completa do voo, incluindo comandos feitos pelos pilotos e alertas emitidos pela aeronave; exames nos motores e nos sistemas de degelo e de proteção contra estol; análise das condições meteorológicas registradas no dia do acidente; entrevistas com pilotos, mecânicos, despachantes e familiares dos tripulantes; estudo de mais de 15 mil voos realizados por aeronaves da mesma frota da companhia; testes em simuladores e um voo experimental com outro ATR 72-500; análise de registros de manutenção, certificados médicos dos pilotos e outros documentos técnicos; análise de equipamentos responsáveis pelo controle de diferentes sistemas da aeronave; análise das lâmpadas dos painéis do avião para verificar quais estavam acesas no momento da queda. Revisão internacional Caixa preta da aeronave que caiu em Vinhedo (SP). Divulgação/FAB Antes da divulgação, o relatório passou pelas etapas previstas no protocolo internacional para investigações de acidentes aeronáuticos. O documento foi analisado: pelo Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la Sécurité de l'Aviation Civile (BEA), da França, país responsável pelo projeto e fabricação do ATR 72-500; e pelo Transportation Safety Board (TSB), do Canadá, responsável pelo projeto dos motores da aeronave. Investigação criminal também está na reta final Familiares das vítimas do voo 2283 e advogados em reunião na Delegacia da Polícia Federal, em Campinas (SP) Arquivo pessoal Paralelamente ao trabalho do Cenipa, a Polícia Federal conduz um inquérito para apurar se houve crimes e eventuais responsáveis pela tragédia. A expectativa da PF é finalizar ainda em agosto. No fim de junho, representantes das famílias tiveram acesso pela primeira vez à transcrição das conversas registradas na cabine da aeronave. O documento integra o laudo produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), que embasa o inquérito da PF. As conversas eram aguardadas porque poderiam ajudar a esclarecer os momentos finais do voo, incluindo se os pilotos comentaram ou acionaram o sistema de degelo — uma das hipóteses investigadas desde o acidente. Segundo os advogados que representam os familiares, a expectativa é que a Polícia Federal conclua o inquérito em breve e encaminhe o caso ao Ministério Público Federal (MPF). O relatório poderá embasar eventuais indiciamentos. Relembre o acidente Protesto de familiares das vítimas da queda de avião em Vinhedo Gabriella Ramos/g1 O voo 2283 da Voepass caiu na tarde de 9 de agosto de 2024 em um condomínio de Vinhedo, durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). As 62 pessoas a bordo - 58 passageiros e quatro tripulantes - morreram. Foi o acidente aéreo mais grave do Brasil desde o desastre com o voo da TAM, em 2007. Logo após a tragédia, duas investigações foram abertas. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) passou a apurar os fatores que contribuíram para a queda e indicar medidas para evitar novos acidentes. Já a Polícia Federal iniciou um inquérito para apurar se houve crime e produzir um laudo próprio sobre o caso, já que o relatório do Cenipa não pode ser usado para responsabilização criminal. Um mês depois, o Cenipa divulgou o relatório preliminar da investigação. O documento confirmou que a aeronave enfrentou condições severas de formação de gelo e registrou que a tripulação relatou uma possível falha no sistema antigelo durante o voo. Também mostrou que o sistema foi acionado e desligado várias vezes ao longo da viagem, mas sem concluir se isso ocorreu por ação dos pilotos ou por outro motivo. O relatório, porém, não apontou a causa do acidente. Enquanto as investigações avançavam, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu as operações da Voepass, em março de 2025. Três meses depois, cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da empresa, impedindo a companhia de operar voos comerciais. Na semana em que a tragédia completou um ano, o g1 publicou reportagens exclusivas sobre o caso. Uma delas revelou o relato de um ex-funcionário da Voepass de que um piloto havia informado verbalmente, horas antes do acidente, falhas no sistema antigelo durante um voo anterior, mas que o problema não foi registrado no diário técnico da aeronave. O g1 também publicou os áudios das conversas entre piloto e copiloto nos minutos que antecederam a queda. Em 30 de junho de 2026, familiares das vítimas tiveram acesso pela primeira vez às transcrições das conversas gravadas na cabine durante uma reunião com a Polícia Federal. Quase dois anos depois da tragédia, o Cenipa concluiu as investigações e divulgou o relatório final, que reúne a análise técnica do acidente e recomendações para aumentar a segurança da aviação e evitar novas tragédias. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas